quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Até onde vai sua liberdade?

Talvez o homem não seja, necessariamente, um animal político, mas uma coisa podermos afirmar: ele torna-se político vivendo em sociedade. E como a finalidade da boa política é o bem comum, devemos colocar freios em nossas atitudes para que elas não atropelem quem quer que esteja no caminho.

Onde termina sua liberdade e começa seu desrespeito? Até que ponto sua liberdade é legítima?

Ridicularizar um grupo vai além da liberdade de expressão: é uma invasão da vida alheia, um desrespeito e intolerância com o próximo. Sua liberdade termina quando ameaça a terceiros; deixa de ser liberdade e passa a ser imposição de conceitos.

Um novo “grupo” chamado “Calcinha nos Dentes” vem ridicularizando o grupo de diversidade sexual “Primavera nos Dentes”, sem perceber o quanto essa atitude é invasiva e ofensiva. Além do mais, dizeres na camisa como “bruto, rústico e sistemático”, bem como o próprio nome do grupo, demonstram uma conduta machista, que pode desencadear diversas atitudes opressivas na universidade.

Tal grupo tem por finalidade reafirmar seu orgulho hétero. Porém, a sociedade possui uma normatividade que se perpetua no costume, ou seja, as normas vigentes permanecem as mesmas durante anos devido ao costume, ao hábito, e não pelo seu caráter racional.

O modelo de nossa sociedade é, nitidamente, heteronormativo e patriarcal, onde homossexuais e mulheres são tratados com inferioridade. Podemos notar isso, principalmente no que diz respeito aos homossexuais, nas simples atitudes cotidianas opressivas como, por exemplo, em um jogo de futebol: o cara que erra um lance é chamado de “viadinho”, e não de “heterozinho”. Em uma entrevista de emprego, quem tem maiores chances de ser desclassificado? O afeminado ou o machão? Em relação às mulheres, podemos notar com freqüência frases como “você precisa é de um macho”, como se elas não tivessem condições de se virarem sozinhas.

Visto isso, torna-se necessário atribuir visibilidade às minorias, com o intuito de normativizar as diferenças e colocar todos no mesmo patamar de igualdade, acompanhada não apenas de tolerância, mas, além de tudo, de respeito.

“A nossa liberdade acaba quando põe em causa a liberdade dos outros”
Sartre