O amor é uma coisa em si. Ama porque ama. Ama-se com o objetivo único de amar. Mais nada. As qualidades da pessoa amada vêm como bônus, os defeitos vêm como sina.
O amor aparece, às vezes, como uma surpresa extremamente agradável, mas às vezes como um problema extra na vida de uma pessoa.
O amor é delicioso, porque ele não deixa que nos sintamos sozinhos; porque ele não deixa que nos percamos; porque ele nos faz encontrar o ápice da felicidade, o ápice do desejo, o ápice da satisfação. Mas o amor pode ser ruim, pois os homens possuem a alma fraca e se deixam levar pelas paixões momentâneas. Pode se degenerar em ódio, uma vez que não saibamos cuidar e mantê-lo saudável. Pode vir a causar dor, sofrimento e diversos outros sentimentos.
Quando o amor decai, isto é, torna-se sofrimento, pode ser devido a duas circunstâncias. A primeira é a falta de interesse, da qual não podemos lidar. A segunda é a fraqueza inerente ao ser humano. Deixamos nos levar por prazeres, por impulsos, perdemos o bom senso. Mas até que ponto podemos perdoar as peripécias do instinto? Até que ponto o instinto é limitado pela racionalidade?
Para aproveitarmos o que o amor oferece de bom, é necessário nos livrarmos de certos conceitos, como, por exemplo, o de orgulho e honra; é muito provável que o amor abale aquilo que a sociedade denomina dignidade. Será necessária muita empatia para nos colocarmos no lugar do outro sempre que for preciso; aprender a analisar situações e não tomar decisões precipitadamente; e, além de tudo, aprender a abrir mão, seja do seu orgulho, seja dos seus hábitos. Aceitar que outro é diferente de você e que, mesmo que ele não demonstre os sentimentos do jeito que você gostaria que demonstrasse, isso não quer dizer que ele não tenha sentimentos por você. Cada pessoa possui um jeito, e não cabe a ninguém mudá-lo. Cabe a cada um compreender e tentar aceitar.
E quando sabemos que estamos amando, afinal? Essa resposta é impossível, pois cada um possui sua concepção de amor. Alguns acreditam que o amor acontece apenas uma vez na vida; outros acreditam que se podem amar várias pessoas, mas de formas diferentes.
O amor pode ser momentâneo. Ou pode ser para a vida toda. Podemos amar alguém pelo que ela é no instante, pelas suas qualidades... O amor pode surgir de uma grande admiração, de um encantamento. Mas talvez, na medida em que a pessoa muda, você deixa de amá-la, uma vez que ela não possui mais as qualidades pelas quais você se apaixonou.
Não é certo a generalização do amor, mas também não é certo a limitação do mesmo. Não é interessante diminuir um sentimento tão fatal a um simples “bom dia”. Mas também não devemos raciocinar tanto com a finalidade de nunca dizer “eu te amo” sem realmente amar.
Ama porque ama. Ama-se no momento. E se o amor acabar, acabou! Isso não quer dizer que ele não existiu ou que ele não foi real.
O amor, por fim, é um sentimento que independe da racionalidade para existir, mas depende dela para dar certo.